A Polícia Civil investiga se o assassinato dos médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos, em Alphaville, Barueri, na Grande São Paulo, foi motivado por disputas de contratos na área da saúde com o autor dos disparos, o também médico Carlos Alberto Azevedo Filho, de 44 anos. Câmeras registraram o crime.
Carlos Alberto foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva após passar por audiência de custódia. Ele já tinha sido preso em 2025 pelos crimes de racismo e agressão em Aracaju, Sergipe. A defesa dele não foi localizada pela reportagem.
Em entrevista à TV Globo, o delegado Andreas Schiffmann afirmou que Carlos e Luís Roberto eram donos de empresas do setor de gestão hospitalar e já vinham se desentendendo havia algum tempo por causa de contratos de licitação. Vinicius era funcionário de Luís.
Segundo Schiffmann, parentes contaram que a relação entre eles era marcada por atritos. “Os familiares relataram que já havia essa rixa e ameaças de ambas as partes. E eles se encontraram naquele restaurante e os ânimos se excederam”, disse.
A polícia diz que Carlos Alberto tem registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), mas não tinha licença para andar armado. Pela legislação federal, quem é CAC não pode portar a arma para defesa pessoal – é necessário ter uma autorização separada e específica. A arma usada no crime era uma pistola.
As vítimas serão enterradas neste domingo em Osasco, na Grande São Paulo, e em Rafard, no interior paulista.
Como foi o crime
De acordo com a polícia, o atirador estava com alguns amigos em outra área aberta do restaurante, se levantou e foi até as mesas onde os outros dois estavam.
Segundo Schiffmann, a Guarda Municipal foi acionada porque haveria uma pessoa armada no local. No entanto, ao chegarem, os agentes fizeram uma revista e não encontraram nada.
“Conseguiram apaziguar um pouquinho os ânimos, pediram para que eles se retirassem e, quando se retiraram, o atirador conseguiu acesso a essa bolsa com essa arma e saiu já do restaurante atirando nas vítimas”, disse.
Para o delegado, chama a atenção a rapidez da ação. “A gente vê que a ação toda até a rendição e a prisão efetivamente foi em 15, 20 segundos. O momento dos tiros foi muito rápido. Ele praticamente descarregou a arma”.
Luis Roberto foi atingido por 8 tiros. Ele trabalhava como cardiologista em um hospital municipal de Barueri. Vinicius foi atingido por dois tiros e trabalhava em unidades de saúde de Cotia. Eles chegaram a ser socorridos, mas morreram no pronto-socorro.
A bolsa com a arma teria sido entregue ao atirador por uma mulher, que não teve o nome divulgado, mas isso ainda precisa ser esclarecido, de acordo com Schiffmann.
“Essa é uma parte da investigação que precisa de um pouco mais de apuração. Ainda não está bem claro se ela levou essa a bolsa, na verdade é uma mala masculina com o nome da empresa. Então, ainda não está claro se ela buscou essa bolsa em algum lugar para entregar para ele. Isso, provavelmente, as testemunhas vão conseguir esclarecer pra gente”, disse,
O delegado informou que o atirador foi encaminhado para cadeia pública de Carapicuíba. Novos depoimentos serão colhidos. A arma de fogo, cápsulas deflagradas, uma bolsa, diversos documentos e R$ 16 mil foram apreendidos e passarão por perícia.
“A visão da polícia é que ele é perigoso, uma pessoa que não mede consequências. Ele já tem antecedente de agressão e de racismo em outro estado. A gente entende que, nesse momento, ele precisa ficar realmente encarcerado”, afirmou Schiffmann.
*Com informações do G1